Muhammad Ali a treina na Pensilvânia antes do combate com George Foreman, Agosto de 1974

Dizia que era “o maior”. O pugilista que “flutuava como uma borboleta” e “picava como uma abelha”, o lendário ex-campeão mundial de boxe na categoria de pesos pesados Muhammad Ali, morreu na sexta-feira aos 74 anos, num hospital em Phoenix, no estado do Arizona, nos Estados Unidos.

Por três vezes campeão do mundo de pesos pesados (1964, 1974 e 1978), considerado o maior pugilista da história da modalidade, Muhammad Ali não resistiu a complicações respiratórias.  “Depois de um combate de 32 anos contra a doença de Parkison, Muhammad Ali morreu, aos 74 anos de idade”, anunciou o porta-voz da família, Bob Gunnell. Ali tinha aparecido pela última vez em público em Abril, num evento para angariar fundos para organizações de caridade no Arizona.

Nascido Cassius Marcellus Clay em Louisville (Kentucky) em 17 de Janeiro de 1942, o pugilista cujas mãos – e cuja boca – eram incrivelmente rápidas começou a praticar a modalidade depois de ter sido aconselhado a aprender boxe por um polícia a quem se queixou quando alguém lhe roubou a bicicleta. Tinha apenas 12 anos, queria aprender a lutar e não perdeu tempo – aos 18 anos já era campeão olímpico em Roma e com 22 tornou-se campeão mundial, derrotando Sonny Liston, num combate extraordinário.

Foi nessa altura que rejeitou a herança esclavagista do seu apelido e decidiu mudar de nome. Passou a chamar-se Cassius X, em homenagem ao líder dos “Black Muslims”, Malcolm X, um grande defensor dos direitos dos negros nos Estados Unidos. Pouco tempo depois converteu-se ao Islão e adoptou o nome de Muhammad Ali.

Com um estilo único, provocador, inimitável, Ali fica para a história não só como pugilista, mas como um homem que se recusou a seguir as convenções dentro e fora do ringue. A imagem debilitada nos seus últimos anos não ofuscou a exuberante personalidade do pugilista, que foi casado quatro vezes e teve nove filhos.

Conservou o título de campeão do mundo até 1967, altura em que foi afastado por se recusar a participar a integrar o exército norte-americano e se opôs com veemência à guerra do Vietname. Apesar de escapar à prisão, acabou por ser afastado dos ringues durante três anos, dividindo os norteamericanos: vergastado pela maioria da opinião pública, era idolatrado por muitos e proclamado como campeão da causa dos negros que na altura se batiam por direitos iguais.

Em 1971 foi finalmente indultado. Voltou aos ringues e reconquistou o título de campeão mundial de pesos pesados em 1974, numa luta contra George Foreman, disputada no Zaire. Um combate, o ” rumble in the jungle” (rufar do tambor na selva), que ficaria para a história.

Este sábado, reagindo à notícia da sua morte, George Foreman confessou: “Uma parte de mim desapareceu. A maior parte”. E Don King, o promotor do histórico combate entre os dois, recordou Ali como alguém “maravilhoso, não só como pugilista, mas também como ser humano, como ícone”. “Muhammad Ali nunca morrerá, ele é como Martin Luther King. O seu espírito viverá para sempre”, enfatizou.

A 15 de Fevereiro de 1978, Ali perdeu o título para Leon Spinks, mas acabaria por recuperá-lo a 15 de Setembro desse ano. Retirado em 1979, viu-se obrigado a calçar de novo as luvas dois anos mais tarde, aos 39 anos, por não ter sido capaz de gerir a sua fortuna. Em Outubro de 1981 perdeu para o compatriota Larry Holmes e, em Dezembro desse ano, uma derrota contra Trevor Berbick acabaria por ser o seu último combate.

Ao fim de uma extraordinária carreira de 30 anos, com 56 vitórias em 61 combates, incluindo 22 em campeonatos do mundo, Muhammad Ali pendurava as luvas. Foi nessa altura que os primeiros sinais da doença de Parkison se começaram a manifestar.

Escolhido para acender a tocha olímpica em Atlanta em 1996 e nomeado enviado da paz pelas Nações Unidas em 1998, Ali recebeu a mais alta distinção atribuída a um civil nos Estados Unidos: a  Medalha da Liberdade, em 2005.

“Deus veio buscar o seu campeão, adeus ao maior”, declarou Mike Tyson, antigo campeão do mundo de pesos pesados, enquanto Floyd Mayweather, ex-campeão mundial de pesos médios, considerou que se perdeu “uma lenda, um herói e um grande homem”. “Foi ele que me mostrou que não se deve nunca ter medo, jamais se deve parar de acreditar e jamais nos devemos contentar com pouco”, recordou.

Fonte: https://www.publico.pt/
Imagem: ACTION IMAGES/MS

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